Sobre Pequenas Jornadas
E como elas nos abrem os olhos

Nem toda jornada começa com uma grande onda de empolgação e entusiasmo. Com uma pilha de energia.
Elas também podem começar de uma necessidade. Uma necessidade de mudança, de sair da rotina e do conhecido. A famosa zona de conforto.
Mas sair do conforto não exige exatamente uma pilha de energia e empolgação? Você me pergunta. É comum se achar que sim.
Acontece que, o que leva à aventuras, as vezes também podem ser algo bem diferente, como o simples desespero. Se deixar levar num momento de impulso quando não se vê mais opções.
E pequenas jornadas podem ser, literalmente, pequenas jornadas. Uma leve caminhadas de menos de 2km que pode mudar o jeito que você percebia o mundo recentemente, como se portava diante dele.
Uma simples jornada dessa pode te fazer, finalmente, ver o que está na sua frente todos os dias, mas que você apenas enxerga.

Você vê estabelecimentos, pessoas, animais, plantas, - vida! - onde apenas enxergava formas físicas do cotidiano.
Você descobre que pode andar com calma e com preguiça, sem precisar correr ou enfiar o pé no acelerador. Essa calma te ajuda a sentir os arredores, o agora. Sem se preocupar com o que passou ou o que vai passar. Apenas o agora.
Você descobre que o que está sempre aberto também fecha, e que o que está sempre fechado também se abre.
Descobre que existe mais do que está acostumado. Mias sons, mais cheiros (não necessariamente bons), mais vento ou sol sob a pele.
Você descobre que também consegue ver.
Que apenas estava cego.